
MATT REDMAN É UMA VOZ FAMILIAR para as pessoas do ministério Vineyard. Por muito tempo ele foi um líder de louvor no Soul Survivor, perto de Londres, e compôs músicas como The Heart of Worship [A essência da adoração] e Blessed Be Your Name [Bendito seja o teu nome]. No ano passado ele e a sua esposa se mudaram para Brighton, no Reino Unido, e ali montaram uma equipe de plantação de igrejas. De repente, ele se encontrou de volta ao básico quando se trata de liderar o louvor - tocando o seu violão na sala de estar de uma casa com uma equipe pequena de plantação de igreja, ajudando a criar uma cultura de adoração numa igreja nova. A seguir, confira uma entrevista com Matt Redman sobre os muitos desafios que os plantadores de igrejas encaram.
SEU ENVOLVIMENTO COM A PLANTAÇÃO DE UMA IGREJA ESTÁ MUDANDO SEU JEITO DE PENSAR A ADORAÇÃO?
Temos ensinado muito sobre adoração, pois é um valor importante. Na nossa declaração de missão, visão e valores falamos sobre ' vida de adoração' que abre o caminho para ' vida de abertura e testemunho'. Na prática, estávamos reunindo com um grupo caseiro durante os primeiros seis meses e eu queria manter o ambiente ' orgânico' daquela fase. Então, cantamos muitas músicas simples e fáceis de aprender. Até mandei CDs para as pessoas que estavam sendo evangelizadas, para que pudessem aprender as músicas e, dessa forma, não precisaríamos projetar as letras ou qualquer coisa do tipo. Uma vez que a equipe de louvor se limitava a mim e ao violão, gastava menos tempo preparando uma lista completa de músicas. Fiquei muito animado com essa aventura. Não estou sugerindo que é mais espiritual não se preparar, apenas que tem algo muito lindo na liberdade daquele contexto pequeno, e é bom tirar proveito disso.
Agora estamos em uma nova fase, e nos reunimos numa pequena capela toda quarta-feira à noite. Naturalmente, conforme as coisas crescem precisamos de um pouco mais de organização e preparação para que as pessoas possam caminhar juntas. Quando há mais pessoas envolvidas (projeção de letras, som e outros músicos) você não pode improvisar na adoração o tempo todo. Porém, todo o tempo estamos nos esforçando para manter a liberdade e o senso de família.
VOCÊ TRABALHA COM LOUVOR E ADORAÇÃO HÁ MUITOS ANOS E JÁ EXPERIMENTOU MUITAS COISAS DIFERENTES. HOJE, APÓS TER SE DESENVOLVIDO COMO MÚSICO E ADORADOR AO LONGO DOS ANOS, COMO VOCÊ VÊ ESSA EXPERIÊNCIA DA ADORAÇÃO?
Acho que eu dava ênfase demais para as grandes reuniões. Minha semana inteira estava focada em dirigir um culto de domingo bem-sucedido. Se fosse ótimo, então todos estaríamos super felizes. Se alguma coisa não dava certo, a semana toda estava perdida. Conforme os anos passam, ainda encontro valor nos grandes cultos ou encontros - tem algo especial sobre o povo de Deus e a presença do Senhor que me emociona. Mas também entendo agora que se pensamos apenas na reunião, as pessoas que estão nos seguindo logo vão perceber isso. Podemos até falar que ' adoração está em todos os aspectos da vida', mas o que estão vendo, de maneira equivocada, através das nossas ações e linguagem corporal é que tudo se limita a estas reuniões.
Em termos da teologia da adoração, lembro-me de que há quinze anos, quando comecei a liderar louvor, nós literalmente focávamos apenas em ' intimidade' durante o louvor. Era mais do que uma palavra-chave - era a palavra. Muitas vezes eu ensinei com palavras que intimidade era a essência em adoração, e que depois disso nada mais importava. E me arrependo de ter dado tanta ênfase nisso. Ênfase em um valor da adoração pode não ser tão saudável. Acredito que o fato da Vineyard apontar para intimidade na adoração foi um corretivo para a Igreja em seu caminho - e isso tem dado muito fruto. Mas agora precisamos ir além e expandir o nosso vocabulário. Concordo com o comentário do Rich Nathan [autor do livro Who Is My Enemy e membro do conselho diretor do Movimento Vineyard nos EUA] de que não podemos somar tudo que adoração significa em uma palavra. Integridade e reverência, por exemplo, onde se encaixam?
VOCÊ JÁ EXPERIMENTOU VÁRIOS ESTILOS DIFERENTES DE ADORAÇÃO DENTRO DE SUA PRÓPRIA COMUNIDADE. QUAL A LIÇÃO QUE VOCÊ RETIRA DESTAS ABORDAGENS?
Uma coisa que amo é ver correntes e expressões diferentes de igreja. Houve momentos em que participei de cultos tradicionais e pentecostais numa mesma semana. Considero isso um privilégio. Há alguns anos tirei uma licença e fui para Califórnia após tomar uma decisão consciente de visitar lugares de expressões diferentes das reuniões de adoração. Descobri que não importa aonde você vai, sempre há algo para se aprender. Naquela época eu estava lendo o livro Streams In The Desert [algo como Correntes de água no deserto, numa tradução livre], de Richard Foster, em que ele escreve sobre várias correntes de pensamento na igreja - litúrgica, justiça social e evangélica - e as explica, nos encorajando a aprender com cada uma delas e não apenas nos prender a uma idéia especifica de igreja. Fazendo isso, sugere Foster, desenvolveremos uma espiritualidade mais madura. Agora, obviamente, seguimos uma tendência baseada em cima de valores sólidos, porém, às vezes descartamos totalmente outras formas de igreja que poderiam ter acrescentado muito a nossa vida.
O QUE VOCÊ TEM FEITO PARA APRIMORAR-SE COMO COMPOSITOR?
Brian Doerksen [autor da canção Vem, esta é a hora] disse certa vez que ' ótimas músicas de adoração expressam um tema universal de forma única'. Desde que ouvi isso, esse ensinamento tem se tornado cada vez mais fundamental na minha vida. Musicalmente e também quando se trata de letras, estamos tentando incorporar os pensamentos eternos de Deus e dos evangelhos, e dar a isso uma resposta que seja relevante. Isso não é fácil, mas é muito edificante trabalhar dessa maneira.
Sempre tento crescer musicalmente e ser cada vez mais criativo. Vi o U2 tocar ao vivo recentemente e a coisa que mais me chocou foi a coleção incrível de músicas que eles têm, e como essas música têm sido trilhas sonoras para tantas pessoas. Foi fascinante ver como as pessoas envolveram os seus corações nestas músicas, cantando com toda a sua força, pois estavam ajudando-as a expressar algo. Fui embora dali querendo ser um compositor melhor. Uma noite dessas percebi que fazia um tempo que não escutava nenhuma música nova. Então acessei o iTunes para concertar esta situação. Quero ser cada vez mais dedicado e inspirado musicalmente e, uma vez que não leio música, escutar é a melhor forma de fazer isso. Também tenho trabalhado cada vez mais com outros compositores. Na realidade, dou mais importância à letra que à música. Música é algo temporário - estilos vêm e vão. Mas as letras podem ser algo com muito mais peso e durar muito mais tempo. Um bom exemplo disso são os hinos: muitos têm mudado em suas melodias e harmonias várias vezes, mas mantêm a mesma letra. É claro que atenção para a melodia, harmonia, acordes, ritmo e estilo é muito importante. Mas acho que a questão maior é entregar letras de conteúdo bíblico e poético relevantes.
ÀS VEZES A ADORAÇÃO CONTEMPORÂNEA É CRITICADA POR SER SENTIMENTAL DEMAIS, FOCADA NAS PESSOAS OU POBRE DO PONTO DE VISTA TEOLÓGICO. VOCÊ CONCORDA COM ESTAS CRÍTICAS?
Não acho que seja motivo para ficar deprimido, mas com certeza há espaço para melhorar. Concordo que hoje em dia há músicas demais sobre ' eu, mim e eu mesmo'. A maioria dos líderes nas igrejas concordariam com isso. Eu já perguntei para vários! Na verdade, acho que é um problema de composição. Não estamos sempre mirando em compor músicas sobre nós mesmos. Nós começamos tentando ser verticais e seguir na direção de Deus, mas na verdade este tipo de música é mais difícil de compor.
Muitos dos compositores dos hinos recebiam treinamento teológico - muitos eram ministros ordenados. Muitas vezes eles usavam melodias antigas e escreviam novas letras. Hoje em dia, temos um modelo diferente - com músicos que não tiveram treinamento formal em teologia (como eu) compondo músicas. Não tem nada necessariamente errado com este modelo, mas acho que ressalta a importância de equipe. Talvez você deseje escrever sobre alguma coisa, mas não sente que conhece o suficiente sobre o assunto para compor. Então, neste caso, convide o pastor para se envolver. Busque algumas idéias; peça direção e algumas passagens da Bíblia para ler. Peça a teólogos para lerem suas músicas. Pergunte sobre quais temas devemos cantar, mas não estamos. Acredito que esse tipo de mentalidade é essencial para os dias de hoje, pois há muito em jogo. As músicas que compomos e cantamos semana após semana estão formando nas pessoas sua visão sobre Deus - não apenas com aquilo que estamos cantando, mas também com o que não estamos cantando. É uma responsabilidade grande e, francamente, um pouco assustadora.
InsideWorship é o site de recursos de treinamento de louvor e adoração da Vineyard
Tradução: por Greta LiraFonte: www.vineyardmusic.com.br
Conheça mais sobre o minsitro Matt Redmann: Acesse o site: http://www.mattredman.com/(site em inglês)
Conheça mais sobre o Inside Worship Acesse: http://www.insideworship.com/(site em inglês)
SEU ENVOLVIMENTO COM A PLANTAÇÃO DE UMA IGREJA ESTÁ MUDANDO SEU JEITO DE PENSAR A ADORAÇÃO?
Temos ensinado muito sobre adoração, pois é um valor importante. Na nossa declaração de missão, visão e valores falamos sobre ' vida de adoração' que abre o caminho para ' vida de abertura e testemunho'. Na prática, estávamos reunindo com um grupo caseiro durante os primeiros seis meses e eu queria manter o ambiente ' orgânico' daquela fase. Então, cantamos muitas músicas simples e fáceis de aprender. Até mandei CDs para as pessoas que estavam sendo evangelizadas, para que pudessem aprender as músicas e, dessa forma, não precisaríamos projetar as letras ou qualquer coisa do tipo. Uma vez que a equipe de louvor se limitava a mim e ao violão, gastava menos tempo preparando uma lista completa de músicas. Fiquei muito animado com essa aventura. Não estou sugerindo que é mais espiritual não se preparar, apenas que tem algo muito lindo na liberdade daquele contexto pequeno, e é bom tirar proveito disso.
Agora estamos em uma nova fase, e nos reunimos numa pequena capela toda quarta-feira à noite. Naturalmente, conforme as coisas crescem precisamos de um pouco mais de organização e preparação para que as pessoas possam caminhar juntas. Quando há mais pessoas envolvidas (projeção de letras, som e outros músicos) você não pode improvisar na adoração o tempo todo. Porém, todo o tempo estamos nos esforçando para manter a liberdade e o senso de família.
VOCÊ TRABALHA COM LOUVOR E ADORAÇÃO HÁ MUITOS ANOS E JÁ EXPERIMENTOU MUITAS COISAS DIFERENTES. HOJE, APÓS TER SE DESENVOLVIDO COMO MÚSICO E ADORADOR AO LONGO DOS ANOS, COMO VOCÊ VÊ ESSA EXPERIÊNCIA DA ADORAÇÃO?
Acho que eu dava ênfase demais para as grandes reuniões. Minha semana inteira estava focada em dirigir um culto de domingo bem-sucedido. Se fosse ótimo, então todos estaríamos super felizes. Se alguma coisa não dava certo, a semana toda estava perdida. Conforme os anos passam, ainda encontro valor nos grandes cultos ou encontros - tem algo especial sobre o povo de Deus e a presença do Senhor que me emociona. Mas também entendo agora que se pensamos apenas na reunião, as pessoas que estão nos seguindo logo vão perceber isso. Podemos até falar que ' adoração está em todos os aspectos da vida', mas o que estão vendo, de maneira equivocada, através das nossas ações e linguagem corporal é que tudo se limita a estas reuniões.
Em termos da teologia da adoração, lembro-me de que há quinze anos, quando comecei a liderar louvor, nós literalmente focávamos apenas em ' intimidade' durante o louvor. Era mais do que uma palavra-chave - era a palavra. Muitas vezes eu ensinei com palavras que intimidade era a essência em adoração, e que depois disso nada mais importava. E me arrependo de ter dado tanta ênfase nisso. Ênfase em um valor da adoração pode não ser tão saudável. Acredito que o fato da Vineyard apontar para intimidade na adoração foi um corretivo para a Igreja em seu caminho - e isso tem dado muito fruto. Mas agora precisamos ir além e expandir o nosso vocabulário. Concordo com o comentário do Rich Nathan [autor do livro Who Is My Enemy e membro do conselho diretor do Movimento Vineyard nos EUA] de que não podemos somar tudo que adoração significa em uma palavra. Integridade e reverência, por exemplo, onde se encaixam?
VOCÊ JÁ EXPERIMENTOU VÁRIOS ESTILOS DIFERENTES DE ADORAÇÃO DENTRO DE SUA PRÓPRIA COMUNIDADE. QUAL A LIÇÃO QUE VOCÊ RETIRA DESTAS ABORDAGENS?
Uma coisa que amo é ver correntes e expressões diferentes de igreja. Houve momentos em que participei de cultos tradicionais e pentecostais numa mesma semana. Considero isso um privilégio. Há alguns anos tirei uma licença e fui para Califórnia após tomar uma decisão consciente de visitar lugares de expressões diferentes das reuniões de adoração. Descobri que não importa aonde você vai, sempre há algo para se aprender. Naquela época eu estava lendo o livro Streams In The Desert [algo como Correntes de água no deserto, numa tradução livre], de Richard Foster, em que ele escreve sobre várias correntes de pensamento na igreja - litúrgica, justiça social e evangélica - e as explica, nos encorajando a aprender com cada uma delas e não apenas nos prender a uma idéia especifica de igreja. Fazendo isso, sugere Foster, desenvolveremos uma espiritualidade mais madura. Agora, obviamente, seguimos uma tendência baseada em cima de valores sólidos, porém, às vezes descartamos totalmente outras formas de igreja que poderiam ter acrescentado muito a nossa vida.
O QUE VOCÊ TEM FEITO PARA APRIMORAR-SE COMO COMPOSITOR?
Brian Doerksen [autor da canção Vem, esta é a hora] disse certa vez que ' ótimas músicas de adoração expressam um tema universal de forma única'. Desde que ouvi isso, esse ensinamento tem se tornado cada vez mais fundamental na minha vida. Musicalmente e também quando se trata de letras, estamos tentando incorporar os pensamentos eternos de Deus e dos evangelhos, e dar a isso uma resposta que seja relevante. Isso não é fácil, mas é muito edificante trabalhar dessa maneira.
Sempre tento crescer musicalmente e ser cada vez mais criativo. Vi o U2 tocar ao vivo recentemente e a coisa que mais me chocou foi a coleção incrível de músicas que eles têm, e como essas música têm sido trilhas sonoras para tantas pessoas. Foi fascinante ver como as pessoas envolveram os seus corações nestas músicas, cantando com toda a sua força, pois estavam ajudando-as a expressar algo. Fui embora dali querendo ser um compositor melhor. Uma noite dessas percebi que fazia um tempo que não escutava nenhuma música nova. Então acessei o iTunes para concertar esta situação. Quero ser cada vez mais dedicado e inspirado musicalmente e, uma vez que não leio música, escutar é a melhor forma de fazer isso. Também tenho trabalhado cada vez mais com outros compositores. Na realidade, dou mais importância à letra que à música. Música é algo temporário - estilos vêm e vão. Mas as letras podem ser algo com muito mais peso e durar muito mais tempo. Um bom exemplo disso são os hinos: muitos têm mudado em suas melodias e harmonias várias vezes, mas mantêm a mesma letra. É claro que atenção para a melodia, harmonia, acordes, ritmo e estilo é muito importante. Mas acho que a questão maior é entregar letras de conteúdo bíblico e poético relevantes.
ÀS VEZES A ADORAÇÃO CONTEMPORÂNEA É CRITICADA POR SER SENTIMENTAL DEMAIS, FOCADA NAS PESSOAS OU POBRE DO PONTO DE VISTA TEOLÓGICO. VOCÊ CONCORDA COM ESTAS CRÍTICAS?
Não acho que seja motivo para ficar deprimido, mas com certeza há espaço para melhorar. Concordo que hoje em dia há músicas demais sobre ' eu, mim e eu mesmo'. A maioria dos líderes nas igrejas concordariam com isso. Eu já perguntei para vários! Na verdade, acho que é um problema de composição. Não estamos sempre mirando em compor músicas sobre nós mesmos. Nós começamos tentando ser verticais e seguir na direção de Deus, mas na verdade este tipo de música é mais difícil de compor.
Muitos dos compositores dos hinos recebiam treinamento teológico - muitos eram ministros ordenados. Muitas vezes eles usavam melodias antigas e escreviam novas letras. Hoje em dia, temos um modelo diferente - com músicos que não tiveram treinamento formal em teologia (como eu) compondo músicas. Não tem nada necessariamente errado com este modelo, mas acho que ressalta a importância de equipe. Talvez você deseje escrever sobre alguma coisa, mas não sente que conhece o suficiente sobre o assunto para compor. Então, neste caso, convide o pastor para se envolver. Busque algumas idéias; peça direção e algumas passagens da Bíblia para ler. Peça a teólogos para lerem suas músicas. Pergunte sobre quais temas devemos cantar, mas não estamos. Acredito que esse tipo de mentalidade é essencial para os dias de hoje, pois há muito em jogo. As músicas que compomos e cantamos semana após semana estão formando nas pessoas sua visão sobre Deus - não apenas com aquilo que estamos cantando, mas também com o que não estamos cantando. É uma responsabilidade grande e, francamente, um pouco assustadora.
InsideWorship é o site de recursos de treinamento de louvor e adoração da Vineyard
Tradução: por Greta LiraFonte: www.vineyardmusic.com.br
Conheça mais sobre o minsitro Matt Redmann: Acesse o site: http://www.mattredman.com/(site em inglês)
Conheça mais sobre o Inside Worship Acesse: http://www.insideworship.com/(site em inglês)
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